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domingo, 23 de junho de 2013

Matemática e mistério

Em Dama do Mar, Robert Wilson cria uma encenação precisa, que combina com o realismo de Ibsen

"Para ser honesto, sempre achei Ibsen um pouco chato", confessou o diretor Robert Wilson. Mais uma vez no Brasil, o norte-americano dirige agora uma montagem de A Dama do Mar, texto clássico do norueguês Henrik Ibsen.
Em conversa com jornalistas, logo após apresentar um ensaio do espetáculo que estreia hoje no Sesc Santos e chega a São Paulo no dia 25 de maio , o renomado encenador não falou o que se espera ouvir daquele que o New York Times definiu como "uma imponente figura do teatro experimental". Aparentemente, quando se trata de discutir seu trabalho, as explicações de Wilson nunca correspondem exatamente ao senso comum.
Não louvou o autor que escolheu: "Ibsen está sempre explicando tudo". Disse que recorre ao humor em textos de fundo dramático simplesmente porque "quem não vê graça nas coisas não pode fazer teatro. E não há porque montar uma tragédia como tragédia". Também explicou sua relação recente com o Brasil em termos bem diretos: "Quantas obras apresentei aqui no ano passado? Foram quatro? Então, quatro é um bom número. E eu ainda continuo aqui".
Continua. Mas, desta vez, faz diferente. Ao invés de trazer uma produção estrangeira, como nas outras ocasiões, criou agora uma montagem local, escalando atores brasileiros. A seleção do elenco aconteceu no começo de 2013. Ligia Cortez, Ondina Clais Castilho, Luis Damasceno, Hélio Cícero e Bete Coelho foram os seus eleitos.
Mas ninguém entendeu exatamente como ele chegou a esses nomes fazendo audições que duraram e pediram tão pouco. "Primeiro, um ator tem que completar o outro. Depois, quero saber se ele sabe ficar parado em cima do palco. É fácil ele ficar se movimentando para lá e para cá. Quero saber se consegue manter a atenção do espectador se estiver imóvel há dez minutos. Procuro perceber coisas simples: como ele fica de pé, como anda, como é o som da sua voz."
Todos esses atributos que Wilson exige dos intérpretes - aparentemente muito simples - são essenciais para seu teatro. Obras que rejeitam o naturalismo e tentam ser formalistas ao extremo. "O jeito como um ator fala em cena não é como ele fala normalmente. A sua maneira de sentar não é a mesma de quem senta em um ônibus. É um outro tempo."
O "outro tempo" do diretor é perceptível em A Dama do Mar. Ibsen pode não ser o dramaturgo da sua predileção. Mas neste texto é suficientemente "estranho" para agradar Wilson. "Como colocar uma sereia em cena? Ninguém sabe." Foi a escritora norte-americana Susan Sontag quem escreveu essa adaptação para o encenador. "Ela conhecia tudo o que eu fiz. Viu algumas das minhas peças mais de 15 vezes", conta ele. "Me sugeriu que eu fizesse Ibsen e escreveu essa versão para mim."
A estratégia parece ter funcionado: a peça, desde 1998, mereceu remontagens de Wilson em cinco países. "Nunca acho que um trabalho está pronto, por isso continuo a fazê-lo."
Soa quase contrassenso pensar em refazer tantas vezes uma obra em que parece não haver espaço para mudanças, em que cada elemento está marcado previamente. Cada mão que se move, cada mudança de luz, cada entonação. "É uma partitura que prevê todos os detalhes e na qual tudo está relacionado", comenta a atriz Bete Coelho.
Na peça, a protagonista Élida é uma mulher divida entre a ambição de encontrar o desconhecido e a vontade de manter-se em segurança. Dividida entre o marido burguês e um estrangeiro que lhe faz promessas de amor. Sem saber se deve apegar-se à terra ou mar.
São nuances de um drama do século 19 que continua a fazer sentido. Há uma discussão aguda sobre liberdade, sobre livre arbítrio. Mas há também metáforas que escapam ao entendimento, à lógica cartesiana.
Para quem vê, o impacto é o mesmo de qualquer uma das criações do diretor. Ele continua a manipular a iluminação como se pintasse quadros. E a lidar com tempo, silêncio e sons como se escrevesse uma composição musical.
A arte de Robert Wilson tem um tanto de matemática que transparece na encenação. A escrita de Ibsen, considerado um dos fundadores do teatro realista, começava a ganhar contornos simbolistas nessa Dama do Mar. Como conciliar matemática e mistério? Não é um encontro que faça sentido. Por isso mesmo é grande.
Pesquisa realizada no site:
http://www.estadao.com.br

quarta-feira, 15 de maio de 2013

sábado, 4 de maio de 2013

Capixaba conquista 1º lugar em Olímpiada Brasileira de Matemática



Adolescente de 14 anos ficou em 1º lugar entre as escolas públicas.
Premiação acontece no próximo dia 19 de junho, no Rio de Janeiro.


A soma da paixão pelos números às boas notas no boletim escolar resultou no primeiro lugar na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obemep) ao capixaba Messias Onofre, de Castelo, no Sul do estado. Já com medalhas de bronze e de prata, o adolescente de 14 anos conquistou, em 2012, o lugar mais alto do pódio e foi consagrado o melhor do país em matemática. A cerimônia de entrega do prêmio acontece no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no próximo dia 19 de junho.
Com livros e cálculos presentes no dia a dia de Messias, o menino contou que, quando estava no sexto ano do Ensino Fundamental, recebeu um incentivo extra aos estudos. "Sempre gostei um pouquinho de matemática e tive bastante facilidade, mas começou mesmo na Obemep, quando a minha professora da 5ª série que incentivou os alunos a fazerem a prova. Foi aí que eu comecei a gostar mesmo de matemática", disse o adolescente.
Messias junto com os pais (Foto: Reprodução/TV Gazeta Sul)Messias junto com os pais
(Foto: Reprodução/TV Gazeta Sul)
Os pais, que sempre acompanharam de perto a vida escolar do filho, esbanjam orgulho, mas afirmam que não deixam a cobrança de lado. "Sempre pressionei ele para estudar e sempre o cobrava para que ele fosse o melhor", falou o pai de Messias.
"Sempre cobramos bastante e ele também sempre compartilhou com a gente, ele gosta de estudar. Eu acho que ainda tem muito pela frente. Estamos apenas começando", declarou Maria Aparecida, mãe de Messias.
Depois de auxiliar o estudante na caminhada, a professora Rosângela Ferreira também não poupa elogios. "Ele se preparava a todo o momento e não tinha muito tempo para estudar em casa. Ele até relatou. Mas o momento que ele tinha era a escola e ele aproveitava ao máximo, nas aulas, nas explicações,  para resolver todas as atividades propostas", afirmou.O menino, que sempre estudou em escolas públicas, conquistou uma bolsa de estudos no Instituto Federal do Espírito Santo e vai cursar o Ensino Médio junto a um curso técnico neste ano.

Pesquisa realizada no site:
http://g1.globo.com

terça-feira, 23 de abril de 2013

HP lança site para capacitar professor em ciência, tecnologia, engenharia e matemática


Empresa montou cursos curtos e oficinas em inglês com viés voltado à prática




Professor, essa é para você. Já pensou em ensinar seus alunos a criar aplicativos que resolvam problemas da vida real? Já quis saber melhor como funcionam avaliações formativas via portfólios digitais? E desenvolver games relacionados ao currículo? Esses e outra dezena de cursos (confira a lista no sitehttp://catalyst.navigator.nmc.org/academy/courses) estarão disponíveis gratuitamente na HP Catalyst Academy, voltada para a capacitação de professores na área de Stem – sigla que, em inglês, significa ciência, tecnologia, engenharia e matemática. O site foi lançado nesta terça-feira, 16, durante o Sinted, evento internacional que ocorre em São Paulo e reúne o setor de tecnologias educacionais.
“Trabalhando com educadores de todo o mundo em outros projetos, a gente percebeu que a solução nunca pode ser só oferecer tecnologia. As duas variáveis que mais importam são uma ótima pedagogia combinada com a tecnologia adequada”, disse Jim Vanides, do escritório global de inovações sociais da HP, que desenvolve ações na área de Stem. Aliás, Stem, não. Stemx. Vanides defende a inclusão do x na já tradicional sigla para significar todas as habilidades do século 21 que não caberiam inicialmente no acrônimo, como criatividade, colaboração, comunicação. “Pensar logicamente é fundamental para qualquer profissional e ajuda a resolver qualquer problema”, disse.
A HP Catalyst Academy, afirmou ele, foi uma forma de favorecer uma parte essencial da engrenagem necessária para se oferecer experiências únicas de aprendizado: o professor. Vanides conta que, ao analisar o que havia disponível de desenvolvimento profissional para educadores, a HP se deparou com modelos muito tradicionais, como cursos de verão, webinars e cursos online. “Se você tem uma semana de capacitação no verão, o que você faz no resto do ano? Nos webinars, você assiste a um vídeo online, mas só isso não muda sua prática da sala de aula. Também há os cursos online que às vezes até são gratuitos, mas eles tomam muito tempo e os professores não têm muito tempo sobrando”, disse. A solução que a HP encontrou foi formatar cursos curtos e oficinas com um viés voltado à prática.
Os educadores interessados nas aulas já podem se inscrever, mas elas só começam a partir de junho. Por enquanto, os cursos propostos são todos em inglês. Mas a HP está fazendo um chamado global para que outras instituições proponham suas aulas. Organizações brasileiras são bem-vindas.
Soluções educacionais
A HP – agora a empresa, e não mais seu braço social – também anunciou que entrou de cabeça no mercado das tecnologias educacionais. “Quando eu pergunto o que vêm à cabeça das pessoas quando falo em HP, elas dizem: impressora, computador. Sempre tivemos parte das soluções para a educação, agora estamos oferecendo uma visão holística”, afirmou Fabio Ranieri, que lidera a área de educação da HP no Brasil, referindo-se à série de produtos que a empresa desenvolve. A partir de agora e a começar pelo Brasil – “um excelente laboratório para testar inovações por sua diversidade”, afirma Ranieri – a HP passa a oferecer serviços customizados que envolvem o trinômio conteúdo, formação e tecnologia, a partir da expertise própria e de parceiros.

Pesquisa realizada no site:

terça-feira, 19 de março de 2013

Só 4,8% dos alunos da rede pública paulista saem da escola com domínio adequado de matemática


Em língua portuguesa, esse porcentual é de 26,8%, segundo os novos dados do Saresp


  Apenas 0,3% dos alunos das escolas públicas paulistas termina o ensino médio com domínio avançado de matemática. O porcentual se mantém estagnado há três anos. Na outra ponta, 55,8% dos concluintes sabem abaixo do básico na disciplina (eram 57,7% em 2010) .
  Em língua portuguesa, só 0,5% tem nível de proficiência avançado e 34,4% não dominam nem o básico quando saem da escola. Os dados, do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), foram divulgados na noite desta sexta-feira, 8, pela Secretaria da Educação.
  Nos anos iniciais do ensino fundamental, subiu de 9,8% para 14,8% no último triênio o número de estudantes que dominam língua portuguesa no nível avançado. Em matemática, nesse mesmo nível, o crescimento foi de 8,2% para 9,7%. O porcentual de alunos que aprenderam os conteúdos adequadamente é de 33,5% (em língua portuguesa) e de 27,1% (em matemática).
  No ciclo 2 do ensino fundamental, agora 10,1% sabem matemática pelo menos no nível adequado. Em língua portuguesa, esta taxa é de 15,6%.
  As notas das disciplinas são combinadas para a composição do Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp), que também leva em consideração indicadores de aprovação, reprovação e abandono. O Idesp global (de todas as séries) é de 2,59 - em 2011 havia sido de 2,61.
  O maior avanço foi registrado no ensino médio. O índice aumentou de 1,78 para 1,91 em um ano. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o Idesp passou de 4,24 para 4,28 e, nos anos finais, caiu de 2,57 para 2,50.
  O Idesp é utilizado para calcular o bônus pago aos professores da rede.
Pesquisa realizada no site:
http://www.estadao.com.br

Games que fazem alunos aprenderem sem querer


  Para conhecer sobre a história de seus antepassados, o jovem Ludz precisa chegar ao distante arquipélago de Insulam. Lá, os níveis de energia são medidos de acordo com o conhecimento acumulado e cada ilha corresponde a uma atividade distinta. Nesse jogo, que une aventura e aprendizado, os estudantes de ensino fundamental e médio podem aprender, de modo lúdico, como desenvolver conceitos de língua portuguesa e matemática. Além disso, à medida que os alunos passam de fase, relatórios simultâneos são enviados aos professores. Esse é um dos games desenvolvidos pela Tamboro, que desenvolve games adaptados ao currículo tradicional. A primeira plataforma da empresa levará esse mesmo nome e será lançada oficialmente a partir de maio deste ano.
  Antes disso, ainda como projeto-piloto, os games estão sendo levados a escolas públicas do Rio e de São Paulo. Em terras cariocas, a experiência foi realizada durante o segundo semestre de 2011 e ao longo de 2012 em cerca de 100 escolas da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Neste ano, cinco escolas da rede pública de SP vêm adotando os jogos educativos em sala de aula. Com dois games já estão estruturados, a plataforma recebe neste ano mais 20 jogos, todos com a preocupação de dialogar com conteúdos voltados a habilidades do século 21, como à tomada de decisões, entendimento de regras, capacidade de resolução de problemas, raciocínio rápido, estratégia, antecipação e perseverança.
  Parte dessas características está presente, por exemplo, no Inventarium, destinado a ajudar os jovens a fazer escolhas e definir projetos de vida, abordando aspectos como “quem eu sou” e “o que quero ser”. Como uma espécie de tabuleiro, o aluno vai passando por etapas no jogo que abordam desde sua árvore genealógica a temas como moradia, profissão e até meio ambiente. O game é direcionado para estudantes do 7o ano até o ensino médio. E a ideia é que os alunos possam construir situações interativas que os levem a reconhecer como suas expectativas podem ser alcançadas, tornando-os protagonistas de suas próprias histórias.
“O estudante aprende o tempo inteiro enquanto joga, uma vez que ele quer passar de nível. Ao passar de fase, ele também vai sendo recompensado por prêmios, que são dados imediatamente, diferentemente de uma prova tradicional. No jogo, eles têm os neuróns, como é chamada a moeda dentro do game”, diz Samara Werner, diretora-executiva da Tamboro. “Enquanto isso, os professores podem mapear onde esses estudantes apresentam mais dificuldades, acompanhando o desempenho deles por meio de relatórios”, completa Samara, que é formada em engenheira elétrica, mas enveredou sua carreira para a educação.
  De acordo com a especialista, a metodologia desenvolvida na plataforma é baseada em três componentes. O primeiro deles é o próprio uso do game como motivação e engajamento entre os estudantes. Outro eixo é a educação interdimensional, que oferece, além do currículo tradicional, um diálogo com outras dimensões humanas – por exemplo, os projetos de vida. Por último, a neurociência, como base para entender sobre o funcionamento do cérebro, como é o processo de memorização, qual tipo de informação deve ser dada e de que maneira e com qual suporte, seja mídia, som, imagem.
“A plataforma pode inclusive ajudar os professores a detectar nos estudantes algumas habilidades e questões que tenham dificuldade, antes de chegar ao novo ciclo”, afirma Samara, que há cinco anos criou um grupo de estudos para entender como funciona o cérebro dos estudantes no processo de aprendizagem por meio do uso das novas tecnologias.
  De forma independente, em sua própria casa, Samara, ao lado de diferentes pesquisadores e professores universitários envolvidos no tema, se reuniam periodicamente para estudar a relação aprendizado-mente-tecnologia. “A tecnologia mudou a maneira de o homem enxergar a si mesmo, ao o outro e a sociedade, que, inclusive, está permitindo fazer com que o conhecimento chegue mais rápido e em maior escala”, diz. Segundo ela, ao contrário do sistema atual de ensino, os games têm foco não somente no conteúdo a ser transmitido, mas também no desenvolvimento de outras habilidades. “Todos os jogos têm regras e os alunos as seguem com muita vontade. A experiência de cada jogador é diferente e traduz o nível de aprendizagem e desenvolvimento de cada um”, afirma.
Conselheiros de Jedi
  Além da proposta de usar os jogos para tornar os jovens mais autônomos e empoderados, o próximo passo de Samara é formar um grupo de Jedis, ou melhor, de Conselheiros Jedis (alusão aos Cavaleiros de Jedi, como eram chamados os guardiões da série Star Wars, que precisavam trabalhar em grupo para vencer os inimigos). Longe da ficção, na vida real a Tamboro está selecionando 30 jovens para formar uma equipe fixa para que esses “Jedis” não apenas joguem, mas contribuam com dicas e orientações que ajudem a melhorar esses games educativos. A primeira reunião já acontece no próximo dia 20.
  Se você quiser saber mais sobre a educação baseada em games, fique atento. Esse e outros debates sobre o papel e o uso de jogos educativos poderão ser conferidos no dia 4 de abril no Transformar 2013, evento promovido em parceria entre o Instituto Inspirare e a Fundação Lemann. Aguarde!

Pesquisa realizada no site:
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Escolas eficazes no ensino da matemática poderão servir de modelo para as unidades de fraco desempenho


Um dos municípios que se destacaram pelo bom ensino da disciplina foi Itamarati, no interior do Amazonas


  O bom desempenho das chamadas escolas eficazes no ensino da matemática poderá servir de modelo para as unidades que apresentam baixo rendimento na disciplina. Nesta quarta-feira, 6, o movimento Todos pela Educação (TPE) divulgou os dados do relatório De Olho nas Metas que apontou o sucesso dos alunos dessas escolas no aprendizado da matemática.
  De acordo com Priscila Cruz, diretora executiva do movimento, um dos municípios que se destacaram pelo bom ensino da matemática foi Itamarati, no interior do Amazonas. Nas escolas dessa cidade, 78% dos alunos do nono ano tiveram bom resultado na avaliação da disciplina.
  O município tem cerca de 8 mil habitantes, segundo o censo de 2012 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Itamarati tem 116 alunos matriculados no nono ano do ensino fundamental. Segundo Priscila, a cidade vem mostrando uma evolução positiva nos números da aprendizagem desde 2005.
“Pelo lado do Todos pela Educação, a gente agora vai atrás desses municípios e das escolas que conseguem ter um resultado melhor para conseguir dar um pouco de pista, o que a gente pode fazer em termos de matemática”, disse. “A gente tem que entender o que tem sido feito, as particularidades dessas escolas e o que pode ser aproveitado por outras escolas. Tem muitas lições que podem ser aprendidas”, completou Priscila.
  Segundo o balanço do TPE, a matemática foi a matéria que obteve o pior resultado na avaliação de defasagem no aprendizado. No terceiro ano do ensino médio, apenas 10,3% dos alunos brasileiros têm o conhecimento adequado de matemática. Em língua portuguesa, o desempenho foi um pouco melhor, com 29,2% dos estudantes mostrando aprendizagem satisfatória.
  A mesma pesquisa feita entre os alunos do nono ano do ensino fundamental mostrou que 16,9% tiveram ensino adequado em matemática, contra 27% em língua portuguesa.
  Para Priscila, além de melhorar o ensino dessa disciplina, o País precisa de um currículo nacional para orientar os professores. “Não ter um currículo nacional é um tremendo impeditivo de melhoria [do ensino], porque se eu quero ter várias políticas que se articulam em torno da aprendizagem, eu tenho que saber qual é a aprendizagem que eu espero”, disse.
  Na opinião da diretora executiva do movimento, falta uma padronização no que é exigido dos professores de todo o País e isso se reflete nos resultados negativos do relatório De Olho nas Metas. “É quase que um jogo assim: eu vou fazer a avaliação, mas eu não vou te contar o que você tem que ensinar. Isso não é transparente, isso não é justo nem com os professores, nem com quem trabalha de forma séria com a educação”
Luis Carlos de Menezes, consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), acredita que o problema está no formato de aulas usado pelas instituições de ensino. “Os alunos ficam sentadinhos ouvindo o professor. Esse conceito de aula tem que acabar. Ou o jovem é protagonista do aprendizado dele ou não vai aprender”, declarou.
“Um bom modelo de aula é o da educação infantil. Você consegue imaginar um monte de crianças perfiladas com a professora discursando para eles? De jeito nenhum. Essa criança é o mesmo jovem do ensino médio. Ele [adolescente] precisa interagir, escrever, calcular e não ouvir dizer. Se nós não mudarmos a escola, esse números continuarão trágicos. A escola está equivocada”, avalia o educador.
  Outro problema apresentado por Menezes foi a inexistência de uma carreira para os professores. Ele argumenta que o professor que entra na profissão só tem como perspectivas terminar o exercício do magistério, ou seja, tornar-se velho. “Isso é lamentável, é melancólico”, disse.
  Fundado em 2006, o Todos pela Educação é um movimento da sociedade civil brasileira que tem a missão de contribuir para que até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil, o País assegure a todas as crianças e jovens o direito à educação básica de qualidade.
Pesquisa realizada no site:
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