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domingo, 23 de junho de 2013

Matemática e mistério

Em Dama do Mar, Robert Wilson cria uma encenação precisa, que combina com o realismo de Ibsen

"Para ser honesto, sempre achei Ibsen um pouco chato", confessou o diretor Robert Wilson. Mais uma vez no Brasil, o norte-americano dirige agora uma montagem de A Dama do Mar, texto clássico do norueguês Henrik Ibsen.
Em conversa com jornalistas, logo após apresentar um ensaio do espetáculo que estreia hoje no Sesc Santos e chega a São Paulo no dia 25 de maio , o renomado encenador não falou o que se espera ouvir daquele que o New York Times definiu como "uma imponente figura do teatro experimental". Aparentemente, quando se trata de discutir seu trabalho, as explicações de Wilson nunca correspondem exatamente ao senso comum.
Não louvou o autor que escolheu: "Ibsen está sempre explicando tudo". Disse que recorre ao humor em textos de fundo dramático simplesmente porque "quem não vê graça nas coisas não pode fazer teatro. E não há porque montar uma tragédia como tragédia". Também explicou sua relação recente com o Brasil em termos bem diretos: "Quantas obras apresentei aqui no ano passado? Foram quatro? Então, quatro é um bom número. E eu ainda continuo aqui".
Continua. Mas, desta vez, faz diferente. Ao invés de trazer uma produção estrangeira, como nas outras ocasiões, criou agora uma montagem local, escalando atores brasileiros. A seleção do elenco aconteceu no começo de 2013. Ligia Cortez, Ondina Clais Castilho, Luis Damasceno, Hélio Cícero e Bete Coelho foram os seus eleitos.
Mas ninguém entendeu exatamente como ele chegou a esses nomes fazendo audições que duraram e pediram tão pouco. "Primeiro, um ator tem que completar o outro. Depois, quero saber se ele sabe ficar parado em cima do palco. É fácil ele ficar se movimentando para lá e para cá. Quero saber se consegue manter a atenção do espectador se estiver imóvel há dez minutos. Procuro perceber coisas simples: como ele fica de pé, como anda, como é o som da sua voz."
Todos esses atributos que Wilson exige dos intérpretes - aparentemente muito simples - são essenciais para seu teatro. Obras que rejeitam o naturalismo e tentam ser formalistas ao extremo. "O jeito como um ator fala em cena não é como ele fala normalmente. A sua maneira de sentar não é a mesma de quem senta em um ônibus. É um outro tempo."
O "outro tempo" do diretor é perceptível em A Dama do Mar. Ibsen pode não ser o dramaturgo da sua predileção. Mas neste texto é suficientemente "estranho" para agradar Wilson. "Como colocar uma sereia em cena? Ninguém sabe." Foi a escritora norte-americana Susan Sontag quem escreveu essa adaptação para o encenador. "Ela conhecia tudo o que eu fiz. Viu algumas das minhas peças mais de 15 vezes", conta ele. "Me sugeriu que eu fizesse Ibsen e escreveu essa versão para mim."
A estratégia parece ter funcionado: a peça, desde 1998, mereceu remontagens de Wilson em cinco países. "Nunca acho que um trabalho está pronto, por isso continuo a fazê-lo."
Soa quase contrassenso pensar em refazer tantas vezes uma obra em que parece não haver espaço para mudanças, em que cada elemento está marcado previamente. Cada mão que se move, cada mudança de luz, cada entonação. "É uma partitura que prevê todos os detalhes e na qual tudo está relacionado", comenta a atriz Bete Coelho.
Na peça, a protagonista Élida é uma mulher divida entre a ambição de encontrar o desconhecido e a vontade de manter-se em segurança. Dividida entre o marido burguês e um estrangeiro que lhe faz promessas de amor. Sem saber se deve apegar-se à terra ou mar.
São nuances de um drama do século 19 que continua a fazer sentido. Há uma discussão aguda sobre liberdade, sobre livre arbítrio. Mas há também metáforas que escapam ao entendimento, à lógica cartesiana.
Para quem vê, o impacto é o mesmo de qualquer uma das criações do diretor. Ele continua a manipular a iluminação como se pintasse quadros. E a lidar com tempo, silêncio e sons como se escrevesse uma composição musical.
A arte de Robert Wilson tem um tanto de matemática que transparece na encenação. A escrita de Ibsen, considerado um dos fundadores do teatro realista, começava a ganhar contornos simbolistas nessa Dama do Mar. Como conciliar matemática e mistério? Não é um encontro que faça sentido. Por isso mesmo é grande.
Pesquisa realizada no site:
http://www.estadao.com.br

sábado, 4 de maio de 2013

Capixaba conquista 1º lugar em Olímpiada Brasileira de Matemática



Adolescente de 14 anos ficou em 1º lugar entre as escolas públicas.
Premiação acontece no próximo dia 19 de junho, no Rio de Janeiro.


A soma da paixão pelos números às boas notas no boletim escolar resultou no primeiro lugar na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obemep) ao capixaba Messias Onofre, de Castelo, no Sul do estado. Já com medalhas de bronze e de prata, o adolescente de 14 anos conquistou, em 2012, o lugar mais alto do pódio e foi consagrado o melhor do país em matemática. A cerimônia de entrega do prêmio acontece no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no próximo dia 19 de junho.
Com livros e cálculos presentes no dia a dia de Messias, o menino contou que, quando estava no sexto ano do Ensino Fundamental, recebeu um incentivo extra aos estudos. "Sempre gostei um pouquinho de matemática e tive bastante facilidade, mas começou mesmo na Obemep, quando a minha professora da 5ª série que incentivou os alunos a fazerem a prova. Foi aí que eu comecei a gostar mesmo de matemática", disse o adolescente.
Messias junto com os pais (Foto: Reprodução/TV Gazeta Sul)Messias junto com os pais
(Foto: Reprodução/TV Gazeta Sul)
Os pais, que sempre acompanharam de perto a vida escolar do filho, esbanjam orgulho, mas afirmam que não deixam a cobrança de lado. "Sempre pressionei ele para estudar e sempre o cobrava para que ele fosse o melhor", falou o pai de Messias.
"Sempre cobramos bastante e ele também sempre compartilhou com a gente, ele gosta de estudar. Eu acho que ainda tem muito pela frente. Estamos apenas começando", declarou Maria Aparecida, mãe de Messias.
Depois de auxiliar o estudante na caminhada, a professora Rosângela Ferreira também não poupa elogios. "Ele se preparava a todo o momento e não tinha muito tempo para estudar em casa. Ele até relatou. Mas o momento que ele tinha era a escola e ele aproveitava ao máximo, nas aulas, nas explicações,  para resolver todas as atividades propostas", afirmou.O menino, que sempre estudou em escolas públicas, conquistou uma bolsa de estudos no Instituto Federal do Espírito Santo e vai cursar o Ensino Médio junto a um curso técnico neste ano.

Pesquisa realizada no site:
http://g1.globo.com

terça-feira, 23 de abril de 2013

HP lança site para capacitar professor em ciência, tecnologia, engenharia e matemática


Empresa montou cursos curtos e oficinas em inglês com viés voltado à prática




Professor, essa é para você. Já pensou em ensinar seus alunos a criar aplicativos que resolvam problemas da vida real? Já quis saber melhor como funcionam avaliações formativas via portfólios digitais? E desenvolver games relacionados ao currículo? Esses e outra dezena de cursos (confira a lista no sitehttp://catalyst.navigator.nmc.org/academy/courses) estarão disponíveis gratuitamente na HP Catalyst Academy, voltada para a capacitação de professores na área de Stem – sigla que, em inglês, significa ciência, tecnologia, engenharia e matemática. O site foi lançado nesta terça-feira, 16, durante o Sinted, evento internacional que ocorre em São Paulo e reúne o setor de tecnologias educacionais.
“Trabalhando com educadores de todo o mundo em outros projetos, a gente percebeu que a solução nunca pode ser só oferecer tecnologia. As duas variáveis que mais importam são uma ótima pedagogia combinada com a tecnologia adequada”, disse Jim Vanides, do escritório global de inovações sociais da HP, que desenvolve ações na área de Stem. Aliás, Stem, não. Stemx. Vanides defende a inclusão do x na já tradicional sigla para significar todas as habilidades do século 21 que não caberiam inicialmente no acrônimo, como criatividade, colaboração, comunicação. “Pensar logicamente é fundamental para qualquer profissional e ajuda a resolver qualquer problema”, disse.
A HP Catalyst Academy, afirmou ele, foi uma forma de favorecer uma parte essencial da engrenagem necessária para se oferecer experiências únicas de aprendizado: o professor. Vanides conta que, ao analisar o que havia disponível de desenvolvimento profissional para educadores, a HP se deparou com modelos muito tradicionais, como cursos de verão, webinars e cursos online. “Se você tem uma semana de capacitação no verão, o que você faz no resto do ano? Nos webinars, você assiste a um vídeo online, mas só isso não muda sua prática da sala de aula. Também há os cursos online que às vezes até são gratuitos, mas eles tomam muito tempo e os professores não têm muito tempo sobrando”, disse. A solução que a HP encontrou foi formatar cursos curtos e oficinas com um viés voltado à prática.
Os educadores interessados nas aulas já podem se inscrever, mas elas só começam a partir de junho. Por enquanto, os cursos propostos são todos em inglês. Mas a HP está fazendo um chamado global para que outras instituições proponham suas aulas. Organizações brasileiras são bem-vindas.
Soluções educacionais
A HP – agora a empresa, e não mais seu braço social – também anunciou que entrou de cabeça no mercado das tecnologias educacionais. “Quando eu pergunto o que vêm à cabeça das pessoas quando falo em HP, elas dizem: impressora, computador. Sempre tivemos parte das soluções para a educação, agora estamos oferecendo uma visão holística”, afirmou Fabio Ranieri, que lidera a área de educação da HP no Brasil, referindo-se à série de produtos que a empresa desenvolve. A partir de agora e a começar pelo Brasil – “um excelente laboratório para testar inovações por sua diversidade”, afirma Ranieri – a HP passa a oferecer serviços customizados que envolvem o trinômio conteúdo, formação e tecnologia, a partir da expertise própria e de parceiros.

Pesquisa realizada no site:

terça-feira, 19 de março de 2013

Só 4,8% dos alunos da rede pública paulista saem da escola com domínio adequado de matemática


Em língua portuguesa, esse porcentual é de 26,8%, segundo os novos dados do Saresp


  Apenas 0,3% dos alunos das escolas públicas paulistas termina o ensino médio com domínio avançado de matemática. O porcentual se mantém estagnado há três anos. Na outra ponta, 55,8% dos concluintes sabem abaixo do básico na disciplina (eram 57,7% em 2010) .
  Em língua portuguesa, só 0,5% tem nível de proficiência avançado e 34,4% não dominam nem o básico quando saem da escola. Os dados, do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), foram divulgados na noite desta sexta-feira, 8, pela Secretaria da Educação.
  Nos anos iniciais do ensino fundamental, subiu de 9,8% para 14,8% no último triênio o número de estudantes que dominam língua portuguesa no nível avançado. Em matemática, nesse mesmo nível, o crescimento foi de 8,2% para 9,7%. O porcentual de alunos que aprenderam os conteúdos adequadamente é de 33,5% (em língua portuguesa) e de 27,1% (em matemática).
  No ciclo 2 do ensino fundamental, agora 10,1% sabem matemática pelo menos no nível adequado. Em língua portuguesa, esta taxa é de 15,6%.
  As notas das disciplinas são combinadas para a composição do Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp), que também leva em consideração indicadores de aprovação, reprovação e abandono. O Idesp global (de todas as séries) é de 2,59 - em 2011 havia sido de 2,61.
  O maior avanço foi registrado no ensino médio. O índice aumentou de 1,78 para 1,91 em um ano. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o Idesp passou de 4,24 para 4,28 e, nos anos finais, caiu de 2,57 para 2,50.
  O Idesp é utilizado para calcular o bônus pago aos professores da rede.
Pesquisa realizada no site:
http://www.estadao.com.br

Games que fazem alunos aprenderem sem querer


  Para conhecer sobre a história de seus antepassados, o jovem Ludz precisa chegar ao distante arquipélago de Insulam. Lá, os níveis de energia são medidos de acordo com o conhecimento acumulado e cada ilha corresponde a uma atividade distinta. Nesse jogo, que une aventura e aprendizado, os estudantes de ensino fundamental e médio podem aprender, de modo lúdico, como desenvolver conceitos de língua portuguesa e matemática. Além disso, à medida que os alunos passam de fase, relatórios simultâneos são enviados aos professores. Esse é um dos games desenvolvidos pela Tamboro, que desenvolve games adaptados ao currículo tradicional. A primeira plataforma da empresa levará esse mesmo nome e será lançada oficialmente a partir de maio deste ano.
  Antes disso, ainda como projeto-piloto, os games estão sendo levados a escolas públicas do Rio e de São Paulo. Em terras cariocas, a experiência foi realizada durante o segundo semestre de 2011 e ao longo de 2012 em cerca de 100 escolas da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Neste ano, cinco escolas da rede pública de SP vêm adotando os jogos educativos em sala de aula. Com dois games já estão estruturados, a plataforma recebe neste ano mais 20 jogos, todos com a preocupação de dialogar com conteúdos voltados a habilidades do século 21, como à tomada de decisões, entendimento de regras, capacidade de resolução de problemas, raciocínio rápido, estratégia, antecipação e perseverança.
  Parte dessas características está presente, por exemplo, no Inventarium, destinado a ajudar os jovens a fazer escolhas e definir projetos de vida, abordando aspectos como “quem eu sou” e “o que quero ser”. Como uma espécie de tabuleiro, o aluno vai passando por etapas no jogo que abordam desde sua árvore genealógica a temas como moradia, profissão e até meio ambiente. O game é direcionado para estudantes do 7o ano até o ensino médio. E a ideia é que os alunos possam construir situações interativas que os levem a reconhecer como suas expectativas podem ser alcançadas, tornando-os protagonistas de suas próprias histórias.
“O estudante aprende o tempo inteiro enquanto joga, uma vez que ele quer passar de nível. Ao passar de fase, ele também vai sendo recompensado por prêmios, que são dados imediatamente, diferentemente de uma prova tradicional. No jogo, eles têm os neuróns, como é chamada a moeda dentro do game”, diz Samara Werner, diretora-executiva da Tamboro. “Enquanto isso, os professores podem mapear onde esses estudantes apresentam mais dificuldades, acompanhando o desempenho deles por meio de relatórios”, completa Samara, que é formada em engenheira elétrica, mas enveredou sua carreira para a educação.
  De acordo com a especialista, a metodologia desenvolvida na plataforma é baseada em três componentes. O primeiro deles é o próprio uso do game como motivação e engajamento entre os estudantes. Outro eixo é a educação interdimensional, que oferece, além do currículo tradicional, um diálogo com outras dimensões humanas – por exemplo, os projetos de vida. Por último, a neurociência, como base para entender sobre o funcionamento do cérebro, como é o processo de memorização, qual tipo de informação deve ser dada e de que maneira e com qual suporte, seja mídia, som, imagem.
“A plataforma pode inclusive ajudar os professores a detectar nos estudantes algumas habilidades e questões que tenham dificuldade, antes de chegar ao novo ciclo”, afirma Samara, que há cinco anos criou um grupo de estudos para entender como funciona o cérebro dos estudantes no processo de aprendizagem por meio do uso das novas tecnologias.
  De forma independente, em sua própria casa, Samara, ao lado de diferentes pesquisadores e professores universitários envolvidos no tema, se reuniam periodicamente para estudar a relação aprendizado-mente-tecnologia. “A tecnologia mudou a maneira de o homem enxergar a si mesmo, ao o outro e a sociedade, que, inclusive, está permitindo fazer com que o conhecimento chegue mais rápido e em maior escala”, diz. Segundo ela, ao contrário do sistema atual de ensino, os games têm foco não somente no conteúdo a ser transmitido, mas também no desenvolvimento de outras habilidades. “Todos os jogos têm regras e os alunos as seguem com muita vontade. A experiência de cada jogador é diferente e traduz o nível de aprendizagem e desenvolvimento de cada um”, afirma.
Conselheiros de Jedi
  Além da proposta de usar os jogos para tornar os jovens mais autônomos e empoderados, o próximo passo de Samara é formar um grupo de Jedis, ou melhor, de Conselheiros Jedis (alusão aos Cavaleiros de Jedi, como eram chamados os guardiões da série Star Wars, que precisavam trabalhar em grupo para vencer os inimigos). Longe da ficção, na vida real a Tamboro está selecionando 30 jovens para formar uma equipe fixa para que esses “Jedis” não apenas joguem, mas contribuam com dicas e orientações que ajudem a melhorar esses games educativos. A primeira reunião já acontece no próximo dia 20.
  Se você quiser saber mais sobre a educação baseada em games, fique atento. Esse e outros debates sobre o papel e o uso de jogos educativos poderão ser conferidos no dia 4 de abril no Transformar 2013, evento promovido em parceria entre o Instituto Inspirare e a Fundação Lemann. Aguarde!

Pesquisa realizada no site:
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Escolas eficazes no ensino da matemática poderão servir de modelo para as unidades de fraco desempenho


Um dos municípios que se destacaram pelo bom ensino da disciplina foi Itamarati, no interior do Amazonas


  O bom desempenho das chamadas escolas eficazes no ensino da matemática poderá servir de modelo para as unidades que apresentam baixo rendimento na disciplina. Nesta quarta-feira, 6, o movimento Todos pela Educação (TPE) divulgou os dados do relatório De Olho nas Metas que apontou o sucesso dos alunos dessas escolas no aprendizado da matemática.
  De acordo com Priscila Cruz, diretora executiva do movimento, um dos municípios que se destacaram pelo bom ensino da matemática foi Itamarati, no interior do Amazonas. Nas escolas dessa cidade, 78% dos alunos do nono ano tiveram bom resultado na avaliação da disciplina.
  O município tem cerca de 8 mil habitantes, segundo o censo de 2012 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Itamarati tem 116 alunos matriculados no nono ano do ensino fundamental. Segundo Priscila, a cidade vem mostrando uma evolução positiva nos números da aprendizagem desde 2005.
“Pelo lado do Todos pela Educação, a gente agora vai atrás desses municípios e das escolas que conseguem ter um resultado melhor para conseguir dar um pouco de pista, o que a gente pode fazer em termos de matemática”, disse. “A gente tem que entender o que tem sido feito, as particularidades dessas escolas e o que pode ser aproveitado por outras escolas. Tem muitas lições que podem ser aprendidas”, completou Priscila.
  Segundo o balanço do TPE, a matemática foi a matéria que obteve o pior resultado na avaliação de defasagem no aprendizado. No terceiro ano do ensino médio, apenas 10,3% dos alunos brasileiros têm o conhecimento adequado de matemática. Em língua portuguesa, o desempenho foi um pouco melhor, com 29,2% dos estudantes mostrando aprendizagem satisfatória.
  A mesma pesquisa feita entre os alunos do nono ano do ensino fundamental mostrou que 16,9% tiveram ensino adequado em matemática, contra 27% em língua portuguesa.
  Para Priscila, além de melhorar o ensino dessa disciplina, o País precisa de um currículo nacional para orientar os professores. “Não ter um currículo nacional é um tremendo impeditivo de melhoria [do ensino], porque se eu quero ter várias políticas que se articulam em torno da aprendizagem, eu tenho que saber qual é a aprendizagem que eu espero”, disse.
  Na opinião da diretora executiva do movimento, falta uma padronização no que é exigido dos professores de todo o País e isso se reflete nos resultados negativos do relatório De Olho nas Metas. “É quase que um jogo assim: eu vou fazer a avaliação, mas eu não vou te contar o que você tem que ensinar. Isso não é transparente, isso não é justo nem com os professores, nem com quem trabalha de forma séria com a educação”
Luis Carlos de Menezes, consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), acredita que o problema está no formato de aulas usado pelas instituições de ensino. “Os alunos ficam sentadinhos ouvindo o professor. Esse conceito de aula tem que acabar. Ou o jovem é protagonista do aprendizado dele ou não vai aprender”, declarou.
“Um bom modelo de aula é o da educação infantil. Você consegue imaginar um monte de crianças perfiladas com a professora discursando para eles? De jeito nenhum. Essa criança é o mesmo jovem do ensino médio. Ele [adolescente] precisa interagir, escrever, calcular e não ouvir dizer. Se nós não mudarmos a escola, esse números continuarão trágicos. A escola está equivocada”, avalia o educador.
  Outro problema apresentado por Menezes foi a inexistência de uma carreira para os professores. Ele argumenta que o professor que entra na profissão só tem como perspectivas terminar o exercício do magistério, ou seja, tornar-se velho. “Isso é lamentável, é melancólico”, disse.
  Fundado em 2006, o Todos pela Educação é um movimento da sociedade civil brasileira que tem a missão de contribuir para que até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil, o País assegure a todas as crianças e jovens o direito à educação básica de qualidade.
Pesquisa realizada no site:
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Só 10% dos jovens sabem matemática


Relatório da ONG Todos Pela Educação mostra que, na escola pública, apenas 5,2% aprenderam o que deveriam no fim do ensino médio


  O ensino médio, principal desafio educacional do Brasil, tem apenas 10,3% de seus estudantes com aprendizado em matemática adequado à sua série. Além de ser baixo, o dado ainda representa piora: em 2009, o porcentual era de 11%.
  Em língua portuguesa, o índice ficou em 29,3% nessa etapa, estável em relação ao levantamento anterior. Os dados fazem parte do relatório De Olho nas Metas, do movimento Todos Pela Educação.
  O movimento monitora desde 2008 o cumprimento de cinco metas: o atendimento escolar à população de 4 a 17 anos, a alfabetização na idade correta, o desempenho dos alunos nos ensinos fundamental e médio, a conclusão dos estudos e o financiamento da educação. Neste ano, o desempenho dos estudantes chamou a atenção pelos maus resultados.
  Quando se leva em conta apenas os estudantes de escolas públicas brasileiras, apenas 5,2% sabem o que deveriam de matemática no ensino médio - ficando bem longe das metas estipuladas (mais informações nesta página). Em português, foi de 23,3% 
  O movimento usa como base os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e da Prova Brasil de 2011. O nível considerado adequado para cada ano foi definido de acordo com a escala de proficiências do Saeb, que tem uma escala única para cada disciplina. A disciplina de matemática é considerada referencial, por ser um conhecimento basicamente escolar.
  Ensino fundamental. No 9.º ano, somente 12% dos estudantes de escolas públicas tiveram desempenho desejável na disciplina. Mas enquanto a maioria dos alunos tem dificuldades, Cocal dos Alves - um município pobre localizado no interior do Piauí - consegue fazer com que quase 90% dos alunos do 9.º ano tenham rendimento adequado em matemática. É o maior índice do Brasil. 
"Com grupos de estudos e acompanhamento das dúvidas, hoje eles acham a Prova Brasil bobinha, sem grandes dificuldades", diz Antonio Cardoso do Amaral, professor de matemática da escola Teotônio Ferreira Brandão, única a oferecer o 9.º ano para os 420 alunos. O município teve o melhor desempenho no Enem, como mostrou em dezembro reportagem do Estado.

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Só 10,3% dos jovens brasileiros têm aprendizado adequado à sua série em matemática ao final do ensino médio


Dados são do relatório De Olho nas Metas 2012, produzido pelo movimento Todos Pela Educação; melhores indicadores estão nos anos iniciais do fundamental


Somente 10,3% dos jovens brasileiros têm aprendizado adequado à sua série em matemática ao final do ensino médio. Os dados são do relatório De Olho nas Metas 2012, produzido pelo movimento Todos Pela Educação e divulgado nesta quarta-feira, 6. Atualizado com base nos resultados da Prova Brasil/Saeb 2011, o porcentual é inferior ao do levantamento anterior, de 2009, que era de 11%.
O estudo apresenta o acompanhamento dos indicadores educacionais do País de acordo com cinco metas preestabelecidas pela entidade: atendimento escolar à população de 4 a 17 anos, alfabetização, desempenho dos alunos no ensino fundamental e médio, conclusão dos estudos e financiamento da Educação. O Todos Pela Educação elegeu o ano de 2022, quando se comemora o bicentenário da Independência do Brasil, como a data limite para o cumprimento das metas de forma integral.
Todo aluno com aprendizado adequado à sua série é a Meta 3 do movimento e a que tem apresentado resultados mais preocupantes. Nos anos finais do fundamental (9.º ano), 27% dos alunos alcançaram desempenho adequado em língua portuguesa - a meta parcial estabelecida pelo movimento para 2011 era de 32%. Em matemática, o desempenho foi de 16,9% para uma meta de 25,4%. Apesar de não terem atingido a meta, ambos índices são melhores do que os anteriores, que eram de 26,2% para português e 14,7% para matemática. 
 
A situação no ensino médio é pior. O indicador de língua portuguesa manteve-se em 29%, diante de uma meta de 31%. Em matemática, o índice caiu de 11% para 10,3%, afastando-se ainda mais da meta parcial de 20%.
Os anos iniciais do ensino fundamental (5.º ano) foram os únicos que se aproximaram ou ultrapassaram as metas estabelecidas. Em língua portuguesa, 40% dos alunos apresentaram desempenho adequado (eram 34,2% em 2009), para uma meta de 42%. Em matemática, 36% dos alunos tiveram desempenho adequado (eram 32,5% em 2009), superando a meta parcial em um ponto porcentual.
Meta 1 - Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola
O País tem 92% da população nessa faixa etária matriculada na educação básica. A meta estabelecida pelo movimento para 2011, no entanto, era de 94,1%. Com isso, mais de 3 milhões de crianças e jovens brasileiros permanecem fora da escola. Os dados dessa edição foram atualizados com os resultados da edição de 2011 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2011).
Meta 2 - Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos de idade
O levantamento traz o resumo dos resultados da primeira aplicação da Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização, a Prova ABC, realizada em 2011. Os resultados da última edição da prova, de 2012, serão divulgados nos próximos meses apenas. A avaliação foi aplicada a 54 mil alunos do 2.º e 3.º anos do fundamental, de 1.200 escolas públicas e privadas de 600 municípios do País.
A prova ABC avalia a escrita, a leitura e matemática de estudantes com 8 anos de idade. Os resultados obtidos na edição de 2011 apontam que 56,1% dos alunos mostraram desempenho adequado em leitura, 42,8% atingiram as habilidades esperadas em matemática e 53,3% dos alunos demonstraram domínio sobre as bases da escrita.
Meta 4 - Todo aluno com ensino fundamental concluído até os 16 anos e com ensino médio concluído até os 19 anos
De acordo com o relatório, o País não cumpriu as metas parciais estabelecidas e tem se afastado cada vez mais da projeção do movimento ao longo dos anos.
Em 2011, apenas o Centro-Oeste cumpriu a meta parcial, que era de 74,1%, tendo apresentado 74,3% dos concluintes com até 16 anos de idade. O mesmo ocorreu no ensino médio: 58,4% de concluintes com até 19 anos de idade frente à meta de 53%.
Meta 5 - Investimento em educação ampliado e bem gerido
O investimento na educação básica em relação ao PIB não foi divulgado até o fechamento do relatório De Olho nas Metas 2012. O valor mais atualizado é de 2010, com 4,3% para a educação básica. Em 2011, o Ministério da Educação (MEC) divulgou apenas o valor investido em todos os níveis de ensino, incluindo também a educação superior. O investimento foi de 5,3%.
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sexta-feira, 1 de março de 2013

Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas abre inscrições

Previsão é de que cerca de 20 milhões de estudantes de todo o País participem da competição

A partir desta segunda-feira, 18, as escolas da rede pública podem inscrever os alunos na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) de 2013. As inscrições vão até 5 de abril, no site www.obmep.org.br. A previsão é de que aproximadamente 20 milhões de estudantes de todo o País participem da competição.
A olimpíada visa a estimular a revelação de alunos com grande aptidão para a matemática. Qualquer escola pública pode inscrever os estudantes em três níveis: o nível 1 para alunos do 6.º e 7.º anos do ensino fundamental, o nível 2 para os do 8.º e 9.º anos e o nível 3 para os do 1.º ao 3.º ano do ensino médio.
As provas da primeira fase da competição serão aplicadas no dia 4 de junho, em horário a ser definido pela própria escola. Os alunos com melhor desempenho serão classificados para a segunda fase, que ocorrerá no dia 14 de setembro, às 14h30 (horário de Brasília), em locais que ainda serão definidos.
Na edição deste ano, serão lançados os clubes de matemática para disseminar o estudo da disciplina no País e incentivar o desenvolvimento intelectual dos alunos. Alunos de todo o País podem formar os clubes e inscrevê-los no blog http://clubes.obmep.org.br/blog.
A divulgação dos vencedores da olimpíada será feita no dia 29 de novembro. No total, 6 mil alunos serão premiados com medalhas, das quais 500 de ouro, 900 de prata e 4.600 de bronze. Além disso, 46.200 alunos ganharão menções honrosas. Todos os medalhistas serão convidados para participar do Programa de Iniciação Científica da Obmep, em 2014.
A olimpíada é um projeto do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e existe desde 2005. É promovida pelos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Educação, com o apoio da Sociedade Brasileira de Matemática. No ano passado, mais de 19 milhões de alunos de 46.728 escolas participaram.

Pesquisa realizada no site:
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Coisas que eu queria saber aos 21: Marilda Sotomayor

 Para professora da USP, carreira acadêmica oferece dinamismo, diversificação intelectual e gratificação

"Aos 21 anos estava cursando licenciatura em Matemática na Faculdade Nacional de Filosofia, Ciências e Letras da antiga Universidade do Brasil (hoje UFRJ). Queria ser professora de matemática de curso secundário, como a minha mãe, que despertou em mim o gosto por esta disciplina quando eu ainda era criança e disputava com seus alunos a resolução de problemas que ela selecionava dos livros do Ary Quintela.
'Escrevi com Alvin Roth um livro que atraiu economistas para um tema antes restrito a matemáticos' - Hélvio Romero/Estadão

'Escrevi com Alvin Roth um livro que atraiu economistas para um tema antes restrito a matemáticos'
Estes livros, que eram muito respeitados e temidos pelos estudantes, eram adotados no ginásio que cursei da Escola Normal Carmela Dutra, onde me formei em professora primária.
Tudo ia bem até que, ao se aproximar o fim do curso, as conversas com os colegas sobre as possibilidades de profissão que a licenciatura proporcionava me fizeram despertar para uma realidade pouco animadora. Parecia que todo aquele conhecimento que adquirira na faculdade estaria fadado ao esquecimento, visto que deveria ensinar somente o que aprendera no curso secundário. Era angustiante imaginar parar de estudar e não ter mais o desafio de resolver problemas novos de matemática!
Foi aí então que, através de uma palestra proferida a convite de nossa turma pelo professor Lindolpho de Carvalho Dias sobre a carreira de matemático, tomei conhecimento de que existia o Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), do qual o professor Lindolpho era diretor, e que formava mestres e doutores em Matemática.
Um mundo novo, no qual eu parecia me encaixar bem, estava abrindo suas portas para mim. Quando terminei a graduação, ingressei no Impa e fiz os cursos de iniciação científica para complementar o meu curso de licenciatura, e logo depois fui aceita no mestrado em Matemática, sob a orientação do professor Elon Lages Lima, notável, entre outros méritos, por sua excelente e numerosa obra bibliográfica matemática de penetração em todos os níveis, incluindo a pesquisa.
Graças ao trabalho pioneiro de alguns poucos pesquisadores, entre os quais estava Mauricio Peixoto, lenda viva da matemática brasileira, o Impa já estava entre os melhores centros de pesquisa em matemática da América Latina. Nessa época, o prestigioso título de mestre em Matemática conferido pela instituição já era disputado por professores de diversas universidades brasileiras.
Ainda no início do mestrado fui contratada pelo Departamento de Matemática da PUC-Rio, onde trabalhei até 1993, quando me mudei para o Departamento de Economia da UFRJ. Em 1997 vim para o Departamento de Economia da USP, onde estou até a presente data.
No meu doutorado, com título outorgado pelo Departamento de Matemática da PUC-Rio, mas realizado na sua maior parte no Impa, fui orientada por Jack Schechtman. A idéia era fazer uma tese em Processos Estocásticos, mas, dizendo querer testar a minha habilidade em tratar com a Economia Matemática, Jack me propôs um problema em Crescimento Econômico. Era uma extensão do problema abordado por ele em sua tese de doutorado, realizado na Universidade da Califórnia em Berkeley, sob a orientação do grande economista matemático David Gale (1921–2008).
Tendo sido bem sucedida, Jack me convenceu a transformar aquele problema na minha tese.
Este trabalho foi aceito para publicação no Journal of Economic Theory, o que me animou a seguir com a carreira científica. Em janeiro de 1983, com uma bolsa de pós-doutorado do CNPq, rumei para Berkeley, esperando aprimorar, com Gale, meus conhecimentos sobre Crescimento Econômico. Porém, para meu desapontamento, Gale não estava mais interessado nesta área. Estava envolvido com a Teoria dos Mercados de Matching, o ramo da Teoria dos Jogos que está sendo homenageado este ano através da premiação, com o Nobel de Economia, dos matemáticos Alvin Roth e Lloyd Shapley. Gale e Shapley escreveram o artigo seminal neste assunto em 1962. Shapley foi premiado por ter sido um dos fundadores da teoria, enquanto Roth, por ter liderado as aplicações aos mercados de matching do mundo real.
Voltei, então, o meu interesse para a nova teoria, dando início a uma profícua colaboração com Gale, que gerou vários artigos em coautoria. Mas foi com Alvin Roth, então professor da Universidade de Pittsburgh, que escrevi o mais relevante deles. Trata-se do livro Two-sided matching. A study in game-theoretic modeling and analysis, publicado em 1990 pela Cambridge University Press. Este livro, que compila toda a teoria de matching existente até o ano de sua publicação, teve o mérito de atrair a atenção de um grande número de economistas para uma área de pesquisas que era, até aquela época, de interesse quase exclusivo de matemáticos. Devido a ele, eu e Roth recebemos o Lanchester Prize de 1990, um dos prêmios mais cobiçados na área de Pesquisa Operacional, e outorgado pela Operation Research Society of America. Em 2010 fomos homenageados com um congresso intitulado Roth and Sotomayor: Twenty years after, organizado na Universidade Duke, para celebrar os 20 anos de publicação do livro.
Tenho ensinado regularmente Teoria dos Jogos, orientado alunos em Desenho de Mercados, organizado congressos e escrito artigos em matching, que me renderam vários prêmios e honrarias acadêmicas - a mais prestigiosa foi ter sido eleita fellow da Econometric Society em 2003.
Para o jovem que se defronta com o problema de escolher a carreira, diria que, como foi no meu caso, a vida acadêmica é uma opção que vale a pena. O trabalho na universidade oferece um ambiente ímpar: dinâmico, intelectualmente diversificado e estimulante, além de ser uma atividade que pode ser extremamente gratificante, na medida em que promove a interação com jovens estudantes e permite o contato com especialistas de diversas áreas do conhecimento."

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Medalhista de ouro vira exemplo em cidade do interior do Piauí

 Sandoel Vieira teve destaque na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas

É ele quem melhor traduz o termo “efeito multiplicador”. A expressão é usada pelos professores da Escola Estadual Augustinho Brandão quando mencionam alunos que devem ser vistos como modelo. E coube a Sandoel Vieira, de 19 anos, carregar esse adjetivo desde 2006, quando se tornou o primeiro aluno da escola a ganhar uma medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas
Sandoel, de 19 anos, já faz aulas de mestrado na UFPI - Davi Lira/Estadão

Sandoel, de 19 anos, já faz aulas de mestrado na UFPI
“Sandoel é referência para todo mundo”, conta a irmã, Samara Brito, de 17 anos, aluna do 3.º ano na mesma escola onde o irmão estudou. Em 2011, o rapaz deixou Cocal dos Alves e partiu para Teresina. “Um dos primeiros objetivos que tracei, o de entrar na faculdade, já consegui alcançar. Agora, já estou indo para o 4.º período de Matemática na UFPI”, diz.
A desenvoltura de Sandoel na área de exatas fez com que fosse incentivado a frequentar disciplinas do mestrado. Aconselhado pelo professor João Xavier da Cruz Neto – seu orientador desde a primeira vitória na olimpíada –, Sandoel aceitou o desafio de cursar o mestrado (como ouvinte) junto com a graduação.
“Ele foi um dos selecionados entre mais de 140 alunos que disputavam as 20 vagas do programa de pós-graduação. E da turma todos já o consideram o melhor do grupo”, diz o conterrâneo Vitaliano Amaral, de 29 anos, aluno do mestrado.
“Ele não é bom, ele é muito bom”, diz o professor Antonio Cardoso do Amaral, seu tutor. E esses incentivos dos professores foram fundamentais para a trajetória trilhada pelo filho da dona de casa Francisca Brito. “Eles sempre apoiaram muito e ele sempre teve vontade de estudar”, diz Francisca.
De Cocal dos Alves, restam as saudades do pai, da mãe e das três irmãs. “A distância sempre traz saudades, mas não pretendo voltar. Quero seguir carreira acadêmica e me tornar um grande pesquisador”, promete. 

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Início do conteúdo Sucesso de escola do Piauí em vestibular e olimpíadas surpreende

'Devemos trabalhar como olheiros que buscam os talentos dos alunos', diz Amaral - Davi Lira/Estadão

Augustinho Brandão já conquistou mais de 20 medalhas em competição de matemática

 
Devemos trabalhar como olheiros que buscam os talentos dos alunos', diz Amaral
Com menos de dez anos de existência, a escola Augustinho Brandão já acumula vários prêmios em competições. Nas Olimpíadas de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), por exemplo, conquistou mais de 20 medalhas – o que faz da instituição uma das mais premiadas do Brasil.
“Conhecemos o caso de sucesso de Cocal dos Alves desde 2005. E a origem desse êxito tem muito a ver com as olimpíadas”, afirma César Camacho, diretor-geral do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), que organiza o evento.
“Proporcionalmente, em relação ao número de habitantes, somos a cidade que mais medalhas conquistou na Obmep”, diz o coordenador pedagógico da escola, Darckson Machado.
Foi com a preparação para as olimpíadas, posterior sistematização de estudos, atenção especial aos alunos e trabalho focado na resolução de dúvidas, que a escola passou a ter uma boa gestão. Mas parte desse desempenho – sempre relacionado ao trabalho do professor de matemática Antônio Cardoso do Amaral – pode ter sido conquistado sob um ambiente de forte pressão e competição entre os alunos, afirma Regina Rocha, que trabalhou como psicóloga na cidade. Ela diz que, em 2010, algumas mães pediram que Regina ajudasse a cuidar dos filhos, que sofriam com excesso de estudo.
Para o estudante Izael de Brito Araújo, de 16 anos, do 1.º ano, a alegação não faz sentido. “O que existe é uma competição saudável. Se um conseguiu, por que eu não posso?”, diz. A escola também é campeã em aprovação nos vestibulares. As taxas de aprovação nunca foram menores que 70%. Em 2010, todos os alunos que prestaram vestibular entraram na UFPI.
Orientações
À pedido do Estado, o professor Amaral destacou algumas sugestões para que quaisquer escolas públicas possa vir a ter um bom desempenho nas olimpíadas de matemática. Repassamos as orientações na íntegra:
1) TRATAR O ASSUNTO "OLIMPÍADA DE MATEMÁTICA" COM CUIDADO E COERÊNCIA - Não esquecer que participar de uma olimpíada implica entrar em uma competição. Portanto, é preciso ficar bem atento para que isso seja feito através do exercício do espírito de competição que cada indvíduo possui, ou seja, sabendo que  haverá ganhadores e não ganhadores. Além disso, é importante eleger como objetivo maior o aprendizado que fica através das preparações e estudo em grupo. Nunca obrigar a participação dos alunos mas sim, convidá-los. Ter bastante cuidado na divulgação de notas de classificação também é outro ponto fundamental.
2) MOSTRAR AS VANTAGENS DE PARTICIPAR DE OLIMPÍADAS - Ganhar medalhas ou menções honrosas em competições olímpicas significa ser um bom aluno, ao menos naquilo que ganhou. Por conta disso, o governo incentiva estes estudantes através de bolsas e participação em programas de aprimoramento para ajudá-los a seguir carreira científica. É muito importante que o professor conheça todas as vantagens que uma competição olímpica oferece para levar aos seus alunos. Mostrar ou ter exemplos de estudantes bem sucedidos que tiveram participação em olimpíadas quando na educação básica, é uma boa estratégia. Insitir que é indiferente se o estudante mora no interior ou se ele vive na cidade grande. O importante é estudar bastante.
3) DAR ASSISTÊNCIA AOS INTERESSADOS - Uma vez conquistado uma turma ou um grupo de alunos para a participação em competições olímpicas, o maior desafio é ter uma boa preparação para as aulas de treino. Pesquisar, conhecer provas de outras edições e bancos de questões são os menores atributos para a condução de boas aulas. Dependendo do ambiente escolar e do grupo de alunos, tudo isso pode ser feito em conjunto.
4) MOTIVAR E PARTICIPAR PARA ATINGIR METAS - Acredita-se que o envolvimento de boa parte dos alunos de uma escola em competições pode servir para aumentar o nível de aprendizado entre todos, principalmente porque motiva o estudo de grupo e isso gera um efeito multiplicativo de conhecimento. Um grande exemplo disso é Cocal dos Alves, um município no interior do Piauí. Portanto, é possível que o projeto de preparação para as olimpíadas de matemática esteja dentro da proposta pedagógica da escola como uma importante ferramenta para melhorar os indicadores de rendimento escolar.

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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Segunda aula de matemática trata de princípios de contagem

Conteúdo online foi produzido pela FGV; dicas serão dadas diariamente

 

 

 - Reprodução
  
  A Fundação Getulio Vargas (FGV) lançou em setembro um ambicioso portal gratuito com foco no ensino médio, o Ensino Médio Digital. Desde a última semana, o Estadão.edu dá, diariamente, dicas de aulas online montadas pela FGV para ajudar na preparação para o Enem. Além das cerca de 90 aulas que podem ser usadas por candidatos na preparação para o exame, a instituição liberou o acesso a um banco com 4,6 mil questões que seguem o modelo do exame.
   As indicações, que devem ocorrer até o início de novembro, serão organizadas de forma a atender aos principais conteúdos cobrados pelo Enem.
   A segunda aula de matemática, sobre "Princípios de contagem" foi indicada pelo professor Eduardo Wagner*. Abaixo, um comentário sobre o conteúdo abordado.

"A aula 6 trata de ensinar a responder perguntas do tipo: “de quantas maneiras uma coisa pode ocorrer”. Por exemplo, podemos perguntar quantas são as senhas de banco que possuem quatro dígitos diferentes, ou também perguntar de quantas maneiras podemos
escolher duas pessoas em um grupo de 10 pessoas.
   Essas situações estão presentes também nos esportes, como por exemplo, descobrir quantos jogos são realizados no campeonato brasileiro se cada time joga com cada um dos outros uma única vez.
   A importância dos princípios de contagem está não somente na possibilidade de responder questões concretas da vida cotidiana como é o ingrediente fundamental para o cálculo de probabilidades, que será abordado na aula 4 do terceiro curso. A importância do assunto é reconhecida pelo Enem que o explora em várias questões."


* EDUARDO WAGNER É AUTOR DE DIVERSOS LIVROS DIDÁTICOS DE MATEMÁTICA E PROFESSOR DA FGV-RJ, DO COLÉGIO SANTO INÁCIO E DO MESTRADO PROFISSIONAL EM MATEMÁTICA NO INSTITUTO NACIONAL DE MATEMÁTICA PURA E APLICADA


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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Olimpíada de matemática é primeiro passo para a inovação, diz Dilma

Presidente participou nesta 2ª-feira da cerimônia de premiação da Obmep

  O Brasil tem dado os passos necessários para o desenvolvimento tecnológico. E a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) é passo importante rumo à inovação. A afirmação é da presidente Dilma Roussef, que posou para fotos, parabenizou e deu palavras de incentivo aos 500 estudantes de todo o Brasil premiados com medalha de ouro na competição.
  A cerimônia de premiação da 7º Obmep ocorreu nesta segunda-feira, 27, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
  “Eu sei que este país vai dar os passos necessários e vai conseguir ser um país que nós sabemos que ele pode ser se esses talentos que nós vemos surgir a partir dessa olimpíada de matemática tiverem a possibilidade de ser devidamente canalizados para o bem dessas pessoas, na medida em que elas têm oportunidades, e também para o Brasil, na medida em que essas oportunidades vão se transformar em mais crescimento, em maior riqueza, em mais rumo na vida de nosso país”, discursou a presidente.
  O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, lembrou que o Brasil tem atualmente 13 olimpíadas de escolas públicas e anunciou a intenção de fazer, em 2016, a primeira Olimpíada do Conhecimento da Juventude, integrando as disciplinas.
  O coordenador da Obmep, Claudio Landim, explica que um dos objetivos da competição é detectar alunos talentosos e destacou a trajetória de alguns participantes, como Tábata Ponte, de São Paulo, que, graças à bolsa de iniciação científica oferecida aos premiados, conseguiu estudar em uma escola particular, foi aprovada para o curso de Física da USP no ano passado e, este ano, em cinco universidades dos Estados Unidos. “Que destino teriam esses alunos brilhantes se não fosse a Obmep e a iniciação científica?”, questiona Landim.
  O presidente do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), César Camacho, afirmou que a Obmep é um exemplo de economicidade atestado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), quanto à aplicação de recursos públicos e retorno social oferecido.
 ”Quanto custa a Obmep? Ela é uma atividade de dois anos, no primeiro ocorrem as duas provas, a primeira para quase 20 milhões de estudantes e a segunda para um milhão. No segundo ano ocorre o programa de iniciação científica. O custo total é de menos de R$ 1,80 por aluno participante, menos do que uma passagem de ônibus”.
  Camacho anunciou que o programa de iniciação científica vai ser ampliado progressivamente. Atualmente, 3 mil alunos são contemplados com a bolsa de estudo de R$100. Para este ano, serão 4,5 mil estudantes, chegando a 10 mil em 2016.
  Em sua sétima edição, a Obmep tem como objetivo estimular o estudo de matemática no País. Podem participar estudante do 6.º ao 9.º ano do ensino fundamental e dos três anos do ensino médio.   
  Além das medalhas de ouro, prata e bronze para os alunos, de acordo com a colocação, as escolas e professores mais atuantes recebem computadores e outros equipamentos. A premiação foi referente à competição de 2011, que contou com a participação de 18 milhões de estudantes, de 44 mil escolas.
  A classificação na Obmep também é usada como critério para programas como o Ciência sem Fronteiras e para mestrado e iniciação científica.
 27 de agosto de 2012


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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Medalha de ouro em Olimpíada Internacional de Matemática estuda mais de 13 horas por dia

   O carioca Daniel Santana Rocha tem apenas 15 anos, estuda em escola pública, é filho de professores e ganhou, no mês passado, a medalha de ouro na Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, disputada em Salvador. 
   O menino tímido, de fala mansa, se dedica com afinco aos estudos. Em casa, são dez horas, do começo da manhã até o final da tarde, divididas em seis horas para a matemática e o restante para as demais disciplinas. À noite, vai à escola. Aluno do primeiro ano do ensino médio no Colégio Estadual Bernardo Sayão, tem aulas das 18h30 às 22h.
   O talento com os números foi descoberto com a ajuda do pai, Fernando da Rocha. Para não deixar o filho sozinho em casa, passou a levá-lo ao curso de aperfeiçoamento para professores de ensino médio do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada).

Carioca de 15 anos ganha medalha de ouro em Olimpíada Internacional de Matemática

   O carioca Daniel Santana Rocha tem apenas 15 anos, estuda em escola pública, é filho de professores e ganhou, no mês passado, a medalha de ouro na Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, disputada em Salvador Felipe Martins/UOL
   Com apenas 11 anos, Daniel já demonstrava facilidade em resolver cálculos complexos. Incentivado pelos professores do Impa, o estudante começou a participar de torneios. No primeiro, a Olimpíada de Matemática do Estado do Rio de Janeiro, já saiu com uma medalha de prata, uma surpresa até mesmo para ele.
   “Eu não esperava ganhar a medalha de prata porque eu comecei a estudar para as Olimpíadas apenas um mês antes”, disse Daniel. O resultado seguinte, um bronze na Olimpíada Brasileira, o deixou ainda mais motivado. “Eu fiquei impressionado com o resultado e ainda mais motivado a continuar estudando”, declarou.

Trânsito e cansaço

   O estudante mora com os pais, professores, em um apartamento humilde em Jacarepaguá, bairro da zona oeste do Rio. Daniel continua assistindo, agora como convidado, às aulas no Impa, no Jardim Botânico, zona sul do Rio.  Para tanto, em dias de trânsito intenso, leva cerca de três horas para chegar ao curso na zona sul do Rio, perdendo até seis horas por dia em engarrafamentos.
   “Ele fica muito cansado”, disse o pai do garoto. “O trajeto é estressante. Eu fico tentando vários caminhos para chegar lá o mais rápido possível. Se a gente tivesse melhor condição financeira, moraríamos mais perto do Impa. A gente tem o sonho de ficar mais próximo, mas o aluguel na zona sul é muito caro”, completou.

Estudante quer ser pesquisador

   Pai e filho quando estão na escola são professor e aluno. O menino ajuda os colegas e troca informações com os outros professores de matemática e física, disciplina em que também mostra desenvoltura. “Ele ajuda e estimula os alunos. A aula fica mais animada. Às vezes, os meninos brincam pedindo para o Daniel dar aula, que a minha aula está muito ruim”, contou o pai orgulhoso. “Meu pai me ajuda muito, como professor e como orientador”, elogiou Daniel.
   Como muitos adolescentes, Daniel tem suas diversões preferidas. “Gosto de videogame, de passear no shopping. Eu estudo durante a semana para liberar meus sábados e domingos”, disse. Sobre a rotina diária de dez horas de estudo, o pai de Daniel afirma que nada é imposto. “Esse é o prazer dele”, definiu. “No Brasil, existe um pouco de preconceito com o estudo. Em muitos países adiantados, o mínimo é dez horas de dedicação”, completou.
   Para o futuro, o jovem talento já tem uma vontade explícita. “Quero ser pesquisador. Gosto da área de análise, do estudo dos sistemas dinâmicos”, contou.

A Olimpíada

   A Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa é disputada entre estudantes de Portugal, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, em um total de 32 competidores. Diferentemente de uma competição esportiva, nas Olimpíadas da Matemática é possível mais de uma medalha de ouro, levando em questão o nível de excelência dos competidores.
   As provas foram realizadas em dois dias e os estudantes tiveram três horas e meia para resolver três problemas propostos pelos países participantes envolvendo geometria, álgebra, combinatória e teoria dos números. Três estudantes ganharam a medalha de ouro, dois do Brasil e um de Portugal.
O estudante agora tem por objetivo disputar a maior competição de matemática mundial, a IMO (International Mathematical Olympiad), que acontece anualmente. A próxima edição acontece em julho de 2013, na Colômbia. O Brasil já foi escolhido para sede no ano de 2017.

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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Professor leva tecnologia avançada a escola pública

Projetos têm despertado em alunos o desejo de fazer faculdade na área de TI


  Alunos do ensino médio de uma escola pública de baixa renda de Petrópolis, na região serrana do Rio, estão aprendendo a criar e modelar personagens tridimensionais para jogos. A capacitação, direcionada aos estudantes do 3.° ano, pretende incentivá-los a estudar programação de games. As aulas começaram no início do ano e é apenas uma das estratégias que vêm sendo desenvolvidas desde 2009 no colégio estadual Embaixador José Bonifácio para aproximar tecnologia avançada do cotidiano desses alunos.
  O responsável pela iniciativa é Guilherme Hartung, professor de matemática que tem visto os seus projetos despertarem nos alunos a vontade de fazer faculdade, sobretudo na área de TI. “O que quero dar para eles é opção. O importante que eles entendam que há um leque de caminhos possíveis e eles podem escolher o quiserem. A gente vai tentando aumentar essa autoestima, embora não seja fácil por conta da realidade dessas famílias.”
  Há três anos, Hartung começou a ensinar alunos de 2.° ano a criar jogos educativos, simuladores e animações interativas. Deu tão certo que as invenções dos jovens passaram a ser utilizadas pelos próprios professores da escola em sala de aula. A ideia do projeto, que continua até hoje, é fazer com que os alunos aproveitem o momento de desenvolver as ferramentas tecnológicas para aprender, de forma multidisciplinar, conteúdos de biologia, matemática, química e física. “Quando o aluno produz um objeto que é usado pelo professor, ele está interferindo na prática pedagógica do professor. Ele se envolve mais, tem um engajamento muito maior”, afirma.
  Um dos produtos dos alunos foi um game de biologia que simula o processo de fabricação de uma proteína. Outros casos são o simulador que ajuda professores a ensinar geometria analítica e a “matemáquina no tempo”, em que os alunos aprendem sobre problemas matemáticos enquanto adivinham enigmas. Ao todo, os jovens já criaram 32 jogos.
O sucesso do projeto rendeu a Hartung prêmios nacionais e internacionais, como o Microsoft Educadores Inovadores 2009, o Novas Formas de Aprender, dado pelo Instituto Claro, além de premiações da Fundação Telefônica e da HP Tech Internacional. Com os prêmios, a escola acabou ganhando computadores, impressoras, projetores e outros equipamentos, que, segundo o professor,  impulsionaram a criação de novos projetos na escola.
  Com o que ganhou, no ano seguinte, o professor resolveu ensinar alunos também do 2.º ano a produzir vídeos e imagens tridimensionais, num projeto que seria o precursor do que começou neste ano, mais voltado à programação. Na época, os jovens chegaram a montar um pequeno cinema na própria escola, confeccionando, inclusive, os óculos 3D. A participação dos alunos no projeto, explica Hartung, variou conforme suas afinidades e habilidades. “As atividades funcionam como uma linha de montagem. Tem aluno que não gosta de programar, enquanto outros preferem trabalhar na arte gráfica ou na parte do áudio.”
  Um dos produtos criados foi um site que mostra a cidade de Petrópolis em imagens 3D. Para o professor, a experiência permitiu que o aprendizado dos alunos não ficasse apenas no processo de produção. “Usando técnicas 3D, os alunos podem observar moléculas em várias posições. Já com a realidade aumentada, eles podem ainda identificar os cinco erros do combate à dengue a partir de uma cena predominantemente real em que são incorporados outros elementos na cena através de um software específico”, afirmou. Veja:
  Para Hartung, a grande contribuição das ações que vem desenvolvendo ao longo desses anos é tornar o aluno personagem ativo no processo de aprendizado. “Esses projetos têm a participação direta dos alunos. Isso faz a diferença. Uma coisa é pegar algo pronto e pedir ao aluno para executar tarefas previstas. Outra coisa é fazer com que o aluno produza objetos de aprendizagem, trabalhe e ajude o professor e a turma.” Ainda de acordo com o professor, quando o aluno é confrontado com um projeto, ele se envolve e acaba aprendendo mais. Por isso, Hartung acredita no aprendizado por projeto, apesar de lamentar o fato de essa metodologia ainda ser muito incomum. 

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Para professor conhecido como 'Lady Gaga', matemática é uma forma de arte

Segundo Cedric Villani, relacionar a matéria com números dificulta o aprendizado

  Matemática não são números, mas pode ser arte, seja na forma de desenhos, pinturas, filmes ou música. Para o matemático francês Cedric Villani, assim como as obras artísticas, a ciência nos permite ver o que é invisível e, a medida que se estudam as equações, pode-se perceber quanta riqueza há dentro delas. Um bom exemplo seria a Lei da Gravitação Universal, de Isaac Newton, que permite resumir as dimensões inimagináveis de planetas, estrelas, galáxias e do próprio Universo em uma única fórmula.
   Durante sua aula na última quinta-feira, 16, no Sesc Vila Mariana, o homem conhecido como a 'Lady Gaga da Matemática' pelo seu jeito peculiar e espalhafatoso de se vestir apresentou como várias melodias e formas desenhadas ou filmadas seguem padrões equacionais, produzindo um efeito quase mágico aos olhos e dão a ideia de algo infinito, como a música tocada apenas com duas notas, desenhos simétricos ou a aproximação microscópica que revela os formatos de um objeto.
Villani já possui uma carreira consagrada em seu ramo apenas com 38 anos de idade. Doutor pela Universidade Paris Dauphine e atualmente professor da Escola Normal Superior de Lyon, ele já recebeu diversos prêmios, entre eles a Medalha Fields, em 2010, considerada  uma espécie de 'Nobel' da Matemática. Sua paixão por esse mundo, segundo ele, foi algo desenvolvidos com o passar dos anos, desde a adolescência.

   O sonho de criança, no entanto, era outro: a paleontologia. Ele sempre foi apaixonado pela ideia de estudar os seres vivos, reconstruir o passado e projetar o futuro por meio dos fósseis, tanto que conseguiu relacionar essa carreira com a sua. "Um paleontólogo, assim como um matemático precisa ter muita imaginação", diz, lembrando que as formas biológicas não são definidas ao acaso, e sim pelas ciências exatas.
   Para Villani, os alunos tem sérios problemas em aprender matemática nas escolas por vários motivos, mas o principal deles é a mania de associar a matéria com sequências numéricas. "Muitas pessoas relacionam a matemática com números, mas não é o caso. Matemática é algo sobre ideias". O desafio, então, seria ensinar o conteúdo com a certeza de se estar contruindo algo lógico para manter os estudantes estimulados a aprender, pois ao mesmo tempo que ele se relaciona com o mundo concreto, possui uma definição abstrata.
   Mas esse desafio não é apenas para os alunos e sim para os professores e cientistas da área. " O matemático é aquele que carrega a maldição de só poder ver o mundo pelo seu reflexo, ou seja, pela equações. Isso nos distancia da realidade."


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Ideb mostra lacuna no ensino de português e matemática

   O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) divulgado na terça-feira pelo Ministério da Educação (MEC) mostra que o Brasil bateu a meta prevista para ser cumprida em 2013. O País saltou da nota 4,6 para 5 - em um indicador que vai 0 a 10. Entretanto, o aumento do Ideb não significa que os alunos aprenderam mais português e matemática.
  Nos anos iniciais do ensino fundamental, por exemplo, o índice aumentou o dobro do que sinalizou a taxa de proficiência dos alunos. Enquanto subiu 0,4 - de 4,6 para 5 -, o aprendizado dos alunos variou em 0,22. Isso acontece porque na composição do Ideb são considerados tanto o aprendizado - medido pela Prova Brasil - como o fluxo escolar, fruto do porcentual de aprovação. O resultado é uma somatória dos dois. Apesar de legítimo - o índice foi constituído exatamente com a finalidade de medir esses dois indicadores -, o resultado pode não deixar claro qual foi exatamente o crescimento da aprendizagem dos estudantes.
  Tanto que há casos em que a nota do Ideb subiu ao mesmo tempo em que caiu a performance dos alunos na avaliação. É o que se pode verificar nos anos iniciais da rede pública do Estado do Amapá. Em relação a 2009, o Ideb subiu 0,2 - de 3,8 para 4,0 -, apesar de as notas da Prova Brasil terem sido menores que as obtidas no teste anterior. É que, nesse intervalo, o porcentual de aprovação cresceu 5,87%.
   O mesmo acontece nos anos finais no Rio de Janeiro. Apesar de uma ligeira queda no rendimento dos alunos da rede pública nas provas de português e matemática, o Ideb subiu de 3,4 para 3,7, consequência de um crescimento de 7,16% na taxa de aprovação.

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